sábado, 5 de julho de 2014
O livro de Jonas
No meio dos livros dos profetas, que “descascam” Israel, o livro de Jonas vem com uma história totalmente diferente. Jonas foi enviado a uma cidade completamente nada a ver: Nínive, capital do império Assírio, inimigo de Israel. O livro começa com Jonas recebendo uma missão. Ele deveria ir a Nínive para “clamar contra a cidade”.
Em vez de se dispor para obedecer, Jonas se dispôs para fugir da missão. Gastou dinheiro pagando passagem de navio para esse esforço inútil. Obviamente, não dá para fugir de Deus… uma tempestade assustadora quase virou o barco e o Jonas estava dormindo, lindamente. Vejam só, a pessoa acha que pode fugir de Deus, se mantendo no erro e ainda dorme…muita gente está assim. O texto diz que o navio estava a ponto de despedaçar e Jonas dormia profundamente no porão. A vida de Jonas estava por um fio e ele nem se dava conta…
Então, o mestre do navio o acordou para que ele ajudasse na oração (claro que não ia resolver, pois cada um estava orando a um deus diferente e Jonas estava fugindo do Deus verdadeiro). Jonas foi desmascarado e acabou sendo jogado ao mar (o pessoal do navio não queria, tá? Não pensem mal deles. O próprio Jonas pediu isso) e “pescado” por uma criatura marinha gigante. Ficou lá dentro por três dias e três noites. Deus o deixou lá, pensando na vida. Quando fez uma oração de arrependimento pela desobediência, foi vomitado na praia, e Deus o mandou novamente ir a Nínive (poderia ter chegado lá seco e limpinho se não tivesse sido tão teimoso). Surpreendentemente (para mim, não para Deus e, pelo visto, nem para Jonas), o povo de Nínive crê na Palavra de Deus e se arrepende tão profundamente (se é que há níveis de arrependimento) que até os animais são vestidos de pano de saco e entram em jejum. A cidade inteira arrependida, coberta de pano de saco, jejuando e clamando…é claro que Deus não resistiu e perdoou.
Este é um livro que mostra o caráter de Deus. É, no meio do Antigo Testamento, uma das poucas exceções em que um povo mostrou condições de arrependimento e conversão. Geralmente, isso acontecia apenas com uma pessoa ou outra, talvez uma família ou grupos menores de pessoas. Mas uma cidade inteira se converter desta maneira antes de Jesus vir para tomar de volta a autoridade que o homem perdeu, não era uma coisa fácil de acontecer. Não que Deus não fosse perdoar, entenda, a dificuldade era de haver arrependimento, não de haver perdão. Desde que Deus é Deus, diante de arrependimento sincero, há perdão.
Tanto é que o único pecado que não tem perdão – a blasfêmia contra o Espírito Santo – só não tem perdão porque não tem arrependimento. Já que o Espírito Santo é Quem convence do pecado, quem conscientemente vira as costas para Ele jamais se convencerá. (Abrindo um imenso – e necessário – parêntese: Sei que o diabo gosta muito de acusar as pessoas sinceras de terem blasfemado contra o Espírito Santo e que, portanto, mesmo buscando, jamais serão perdoadas. Se você tem sido acusado assim, fique feliz. Se está sendo acusado, pode ter certeza de que não pecou contra o Espírito Santo. Quem peca contra Ele – isto é, segundo o texto bíblico em que Jesus fala isso, quem, sabendo que algo ou alguém é de Deus, diz que é do diabo, ou seja, conscientemente diz que Deus é o diabo – jamais terá acusação em sua cabeça, muito menos será convencido de pecado. Enquanto você está aí se torturando, quem realmente pecou contra o Espírito Santo não está minimamente preocupado com o que fez. Seja livre dessa acusação, de uma vez por todas.)
Medite atentamente no livro de Jonas, para entender um pouco mais a respeito do Deus a quem você serve – e também a respeito do caráter do ser humano. Jonas teve que ir ao fundo do poço, ou melhor, ao fundo do mar – que é mais fundo ainda – para decidir obedecer a Deus e, mesmo assim, não conseguiu compreendê-Lo. Um trecho do final foi bem forte para mim esta semana. Escrevi sobre ele a um grupo de amigos, e ele me acompanhou nos dias seguintes, para me ajudar a controlar meus próprios chiliques (oi, TPM):
“Com isso, desgostou-se Jonas extremamente e ficou irado. E orou ao SENHOR e disse: Ah! SENHOR! Não foi isso o que eu disse, estando ainda na minha terra? Por isso, me adiantei, fugindo para Társis, pois sabia que és Deus clemente, e misericordioso, e tardio em irar-se, e grande em benignidade, e que te arrependes do mal. Peço-te, pois, ó SENHOR, tira-me a vida, porque melhor me é morrer do que viver. E disse o SENHOR: É razoável essa tua ira?” (Jonas 4.2-4)
O que chamou minha atenção aqui nem foi o chilique de Jonas por Deus não ter destruído Nínive. Nem mesmo foi o fato de ele dizer que fugiu justamente porque conhecia Deus muito bem e sabia que se aquele povo perverso se convertesse, Ele seria misericordioso. O que chama mais atenção aqui é a resposta de Deus ao piti de Jonas. “É razoável essa tua ira?” Deus tentou fazer Jonas pensar, analisar a situação, pois a reação dele tinha sido desproporcional ao que havia acontecido. Jonas estava na emoção e Deus tentou fazê-lo pensar, perguntando: “você considera racional essa sua reação?” Jonas continuou fazendo birra e Deus teve que fazer um audiovisual para que ele conseguisse entender (convenhamos, Deus é MUITO paciente).
O livro, na verdade, termina sem que a gente saiba se Jonas realmente entendeu, mas eu acredito que sim. Deus fez com que Jonas se colocasse no lugar dEle por um instante, para entender o que Ele pensava e o que Ele sentia. Quando você faz isso, você se tira do centro da sua vida. Já não diz mais respeito ao que você acha, ao que você pensa, ao que você sente. Sua vida começa a ser pautada pelo que Deus acha, pelo que Deus pensa e pelo que Deus sente. A nossa visão das coisas sempre vai ser imperfeita, pois não temos todas as informações que Ele tem. É melhor confiar no que Ele diz e obedecer.
Sempre que um sentimento – seja raiva, medo, insegurança, ansiedade, angústia, ou qualquer coisa assim – fizer com que você tenha uma reação (como fugir ou dar chilique) desproporcional àquilo que Deus lhe pediu para fazer, pense nessa pergunta: “é razoável essa tua reação?” E se coloque no lugar de Deus
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