Foi complicado porque tudo o que eu queria era mergulhar em algum livro prazeroso, de algum assunto que me agradasse. A linguagem de alguns livros técnicos e didáticos é muito cansativa e dá vontade de dormir. E por mais que você goste de um assunto, cansa ver a mesma coisa todas as vezes. O cérebro precisa variar.
Eu me sentia um grande computador fazendo um download lento e doloroso de informações, porque queria estar fazendo outras coisas, queria estar lendo outras coisas e me sentia obrigada a ficar ali, lendo aquele negócio chato até o fim. O resultado era que o negócio que não era tão chato acabava ficando muito chato pela minha forma de encarar. Demorou um pouquinho até me dar conta de que eu estava me sabotando e que a coisa toda poderia ser feita com menos sofrimento. Para muitos, a leitura, em geral, é esse download lento e doloroso. Eis os problemas e os antídotos:
1 – O livro é realmente chato. – Nem sempre a culpa é sua. Alguns livros são realmente chatos. Assuntos interessantes, títulos interessantes, ideia excelente, mas péssima execução. Texto confuso, palavras complicadas, frases que dão voltas e voltas e a gente se perde na metade. O livro se arraaaaasta e você quer jogá-lo pela janela.
Como resolver? Se você for obrigada a ler ou quiser muito ler, é possível terminar. Seu foco deve estar no que é positivo: o assunto, a ideia. Tente entender o que o autor quis dizer, sem se focar na chatice. Mas é bom se certificar de que não se trata de nenhum dos próximos motivos…
2 – O livro não é chato, mas o assunto não lhe proporciona prazer. – Isso é muito, muito comum. Você fica pensando que poderia estar lendo um livro de ficção bem bacana, ou que tinha que fazer as unhas porque esse esmalte vermelho já está descascando e você queria trocar por um rosa (momento autobiográfico), ou que talvez alguém esteja falando alguma coisa legal no Facebook. O problema aqui é a tendência de viver de acordo com o que sente. Você quer sentir prazer. Você quer ter vontade de fazer as coisas. Isso é preguicite aguda. Cuidado para não se tornar crônica.
Como resolver? O antídoto é fazer o que tem de ser feito e não só o que você tem vontade. O prazer de ter concluído uma tarefa complicada é sempre maior do que o sacrifício a ser feito no processo. Renuncie à sua vontade pelo bem maior do resultado. Pense em como aquele livro será útil e importante e no quanto você será mais feliz depois de terminá-lo.
3 – Você está achando o livro chato porque não entende nada do assunto. – O livro não é chato de verdade. O problema é que na sua cabeça você fica pensando: “Não entendo isso”; “Não estou conseguindo entender”; “Não sei nada sobre isso”; “Nossa, isso é muito difícil”. Por que raios seu cérebro vai guardar alguma coisa? Você está dando a ele ordens para nem tentar entender porque você não consegue e tudo é muito difícil. Aí, naturalmente, ele vai achar a tarefa inútil e tentar desviar sua atenção para algo que você saiba fazer ou que seja fácil.
Como resolver? O antídoto aqui é pensar: “Puxa, que legal, eu vou conseguir entender tudo sobre esse assunto lendo esse livro!”; “Barbaridade, como eu era limitadinha antes, ainda bem que com esse conteúdo vou ampliar a minha mente”. Com reforço positivo, você está apertando em seu cérebro o botãozinho “aprender”. Quando desenvolver intimidade com o assunto, vai achar muuuito legal.
Então, isso significa que já tem um caminhozinho aí no seu cérebro para ler com facilidade. Escondido pelo matagal, mas existe. E se você ainda não teve essa experiência, então se prepare, pois 2014 será o ano em que você se tornará uma leitora fluente.
E por favor, pare com essa mania de dar ordens negativas para o seu cérebro. Tenha sabedoria na hora de embarcar em uma leitura, para conseguir tirar o máximo dela. Este ano vamos fazer um treinamento intensivo para transportar sua mente a um outro nível de aproveitamento!

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