sábado, 18 de janeiro de 2014

Pare de se sabotar e dê a volta por cima

Este livro foi tão bom que eu tive dificuldades de escolher quais trechos colocar aqui sem transcrever o livro inteiro. Depois que me dei conta de que agia errado em muitas áreas da minha vida (e isso aconteceu há alguns anos) desenvolvi uma vontade quase obsessiva de me tornar uma pessoa melhor, e esse livro veio abraçar essa minha boa obsessão positiva. :-)
“Pare de se sabotar e dê a volta por cima” (The Flip Side), escrito pelo psicoterapeuta Flip Flippen (editora Sextante) foi uma grata surpresa. Se eu o julgasse pela capa, jamais levaria a sério. A edição brasileira ganhou uma capinha amarelona sem graça e eu realmente não estava acreditando no livro. Talvez até por isso o impacto do conteúdo tenha sido maior.
A ideia é mais ou menos a seguinte: as pessoas têm limitações que as impedem de alcançar seu potencial, e ele faz a lista das dez piores, que ele chama de “limitações fatais” e ensina a lidar com elas, partindo do princípio de que o ser humano é adaptável e que você pode muito bem mudar aquilo que se dispuser a mudar – o que é verdade. O engraçado é que muitas são vistas como características da personalidade da pessoa, e Flippen nos faz entender que aquilo não faz parte de você, é somente algo que está atrapalhando.
Depois da explicação (cheia de exemplos, o que facilita o entendimento) sobre uma limitação fatal, tem um testezinho com dez perguntas, para que você veja se tem aquela característica. Eu fiquei chocada, descobri que tenho mais limitações do que imaginava. Não gostei de saber que sou tão limitada…hahaha… O bom é que essa constatação vem com a explicação prática de como modificar o comportamento.
As dez limitações fatais são: À Prova de Balas (excessivamente confiante), Ostra (pouco autoconfiante), Docinho de coco (altruísta ao extremo, não sabe dizer não), Crítico (exigente, implicante ou rude demais), Iceberg (pouco afável), Catatônico (sem iniciativa), Rolo Compressor (excessivamente dominante), Tartaruga (resistente a mudanças), Vulcão (agressivo, raivoso), Rápido no Gatilho (pouco autocontrole, impulsivo), e dentro de cada uma delas, diversos comportamentos nocivos. Note que o objetivo aqui é se afastar dos extremos e tornar-se uma pessoa mais equilibrada. Se eu tivesse feito os testes antes de me tornar uma nova criatura, possivelmente teria alcançado a pontuação máxima em todas as características, exceto talvez Iceberg e Catatônico, embora tivesse um pouco dos dois. Aliás, todos temos um pouco de cada uma dessas limitações (e alguns têm muito…rs…), o importante é saber avaliar objetivamente o quanto elas têm nos atrapalhado de crescer.
“Ano após ano, provamos que as pessoas que decidem identificar e eliminar suas limitações pessoais se saem melhor do que aquelas que não tomam essa decisão. É uma questão de física: quanto menor o fardo que você carregar, mais longe irá.”
Não se agarre àquilo que lhe atrasa, por favor. Eu tenho verdadeiro pavor das palavrinhas “eu sou assim” ou “esse é meu jeito”. Quando alguém me diz isso, eu ouço: “Sei que isso me atrapalha, mas não estou disposto a mudar”. Confesso que sempre que digo alguma coisa assim, logo acende uma luzinha vermelha no meu nariz, para que eu veja com clareza e faça algo a respeito. O ser humano é uma massinha de modelar. Não é à toa que na Bíblia sejamos comparados ao barro, e Deus, ao Oleiro, que molda o barro para fazer um vaso bonitão. Imagina só se o barro disser: “Não! Eu sou assim! Esse é meu jeito!”. A gente tem de se deixar moldar.
“Não é possível consertar todos os movimentos ao mesmo tempo. É preciso se concentrar em um de cada vez. Você tem que identificar quais mudanças irão lhe trazer os maiores benefícios. É nisso que precisa trabalhar – no que mais está prejudicando você.”
Que bom que ele me avisou isso, porque eu já estava um tanto quanto desesperada, pensando “ e agora? Por onde começo?” Por outro lado, estava empolgada, porque descobri um monte de coisinhas em que posso melhorar. :-D
Dá uma certa dor ler coisas como “Uma das melhores maneiras de lidar com alguém que tem essa limitação é…” Você se enxerga naquela descrição e pensa: “Não! Eu não quero ser visto como uma pessoa que tem uma limitação!” É como se, sei lá, de repente eu não tivesse braços ou faltasse uma parte do meu cérebro e ele estivesse explicando às pessoas como ter paciência comigo e contornar minhas limitações para melhorar o relacionamento. “Peraê! Eu mesma me livro desses problemas!” Tendo a dizer, o que é uma reação melhor do que chorar e me lamentar pelas infinitas limitações. Aliás, tem isso também, o livro te ajuda a entender outras pessoas, ser mais tolerante e a ajudá-las!
“Todos influenciamos e exercemos efeito sobre os outros, para melhor ou para pior, e compreender por que fazemos o que fazemos é um ótimo começo para ajudar outras pessoas a darem uma guinada na vida.”
Falando sobre o tipo “Ostra”, a pessoa com pouca autoconfiança (e é incrível o fato de eu ter conseguido empatar a pontuação desse item com a do item anterior…como uma pessoa pode ser igualmente autoconfiante ao extremo e com pouca autoconfiança? Tudo depende da situação específica…achei o máximo poder lidar com duas limitações tão diferentes, me conhecer melhor e entender como me livrar delas) ele diz:
“No fim das contas, não importava que ele fosse talentoso ou uma pessoa boa; tudo se resumiu à sua incapacidade de encarar as dificuldades. Sua baixa autoconfiança acabou assumindo o controle e determinando o nível de sucesso que ele poderia alcançar.”
É muito forte isso! Sua baixa autoconfiança acabou assumindo o controle…tem noção do quão revoltante isso deveria ser para você? Como admitir que algo que não é você mesmo assuma o controle da sua vida? Um comportamento adquirido! Sim, porque você não nasceu assim! Pode ter adquirido esse comportamento nos primeiros anos da sua vida pelo modo com que foi criado, ou pela rejeição, mas não existe nenhum bebê recém-nascido com baixa autoconfiança! Você adquiriu esse comportamento e agora ele quer fazer as decisões por você! Mande ele passear, amigo!
Nem foi a limitação fatal que eu mais pontuei, mas vi muitas características que ainda identifico em mim e que talvez também te atrapalhem:
“Enquanto escrevo isto, me vêm à mente as lembranças de épocas difíceis da minha vida, quando eu vivia me martirizando. Todos devemos manter a humildade e a sensibilidade, mas não podemos deixar que esses pontos fortes se transformem em limitações.”
Vou passar aqui algo que ele sugere e que posso garantir que funciona porque tenho testado:
“Quando eu começar a ter pensamentos negativos sobre mim mesmo, vou passar a substituí-los por outros mais verdadeiros. Então, em vez de pensar: “Não acredito que derramei a garrafa de vinho nele…Fui tão distraída! Aposto que ele ficou mais chateado do que pareceu… Eu só estava tentando ajudar, e veja só o que fiz”, vou substituir por “Isso pode acontecer com qualquer um, e ele sabia que eu só estava tentando ajudar. Não há mais nada que eu possa fazer agora, por isso vou manter em mente que foi um jantar muito agradável.”
Àqueles que não sabem dizer não (oi!), ele diz:
“Certamente todos se lembram das instruções que a aeromoça ou o comissário de bordo dão, assim que entramos em um avião: “Em caso de emergência, máscaras de oxigênio cairão do compartimento superior. Ponha primeiro a máscara em você e só depois ajude quem estiver ao lado”. Há um motivo para que você ponha sua máscara primeiro: se estiver usando-a, poderá ajudar melhor àqueles com quem se preocupa. Imagino que você fica tão ocupado ajudando as outras pessoas que, de vez em quando, acorda e descobre que seu tanque de oxigênio está vazio. Então assegure-se de mantê-lo sempre cheio! Esse conselho pode parecer egoísta, mas não é.”
Ajudar pessoas é algo louvável e que a maioria das pessoas tem dificuldade de fazer, mas se não for feito com equilíbrio, causa o efeito contrário. Eu tenho essa vontade de ajudar todo mundo, o tempo todo. Se não cuidar, coloco a máscara de oxigênio em todos os passageiros do avião e morro asfixiada. Vamos aprender juntos a encontrar um equilíbrio? Percebi que o ponto central de encontrar esse equilíbrio é usar mais a cabeça do que o coração. Tenho de tomar muito cuidado para que minhas emoções não se abracem à minha vontade natural de ajudar e tomem o controle do barco à força.
Isso já me causou sérios problemas, quando eu me enfiava em encrencas para, na força do braço, tentar salvar as pessoas de situações que elas mesmas tinham criado. Não faça isso, por favor, não funciona. Às vezes a pessoa precisa ir para o fundo do poço para aprender a sair e mudar. Se todas as vezes você a resgatar, ela nunca irá aprender. Por isso é importante desenvolver essa sensibilidade (que apesar de se chamar “sensibilidade” não é emocional, é mais um “sensor”) para saber quando interferir e quando deixar. Só Deus pode nos ajudar a ter essa noção.
Outra coisa, vejo muita gente se engajar em um grupo de evangelização e esquecer de buscar por si, como se já tivesse chegado a um patamar que dispensa a necessidade de crescer mais, de aprender. Novidade para você: não existe esse patamar. Se você acha que não precisa mudar nada, é porque tem muito mais a mudar do que imagina. Você não pode dar o que não tem. Só pode compartilhar algo se tiver o suficiente para você.
“Nenhuma empresa pode superar as limitações pessoais de seus líderes. Ou seja, para minha empresa melhorar, eu preciso melhorar. É simples, porém profundo. Para permitir o crescimento de uma empresa, uma família, uma equipe ou uma organização, seus líderes precisam se comprometer a crescer.
 Flip diz:
“O casamento é, também, a união definitiva das limitações pessoais dos dois parceiros. Quando me casei com Susan, também me casei com as limitações pessoais dela – e, o que é pior ainda, ela se casou com as minhas.”
Olha aí, solteiros! Esqueçam aquele pensamento de que casar resolverá seus problemas! Não só não resolverá, como te trará novos problemas para acrescentar aos que você já tinha! Mais coisas com que lidar. Casar tem muitas vantagens, mas vem com um abacaxizinho para descascar, então use a cabeça na hora de escolher seu futuro marido ou sua futura esposa! É absolutamente necessário que você escolha bem!
Olha que legal:
“Você pode fazer a diferença. Porém, a primeira diferença que precisa fazer é em si mesmo. Esse é um ótimo ponto de partida e você nem precisa sair de casa para dar início a esse projeto.”
 Primeiro em você e depois nos outros, inevitavelmente.
“Em primeiro lugar, é preciso empreender uma busca sincera para descobrir quem somos e que rumo queremos seguir na grande jornada da vida. Em segundo lugar, é necessário ter uma disciplina considerável para de fato chegar lá, depois de saber para onde queremos ir. Embora pareça simples, muita gente não tem sucesso ao longo do caminho porque não quer ter o trabalho necessário para ir até o fim.”
Aí está a importância de pagar o preço. De estar disposto, sim, a sacrificar, a renunciar àquilo que tem te atrapalhado, jogar fora o peso.
“Você sabia que nascemos só com dois medos? Chegamos ao mundo com dois temores inatos: o medo de cair e o de ruídos altos. Todos os outros medos que temos na vida são adquiridos. Alguns temores são pela nossa segurança em um mundo altamente complexo e agitado, enquanto outros são aprendidos pelo caminho como reação a ameaças imaginárias ou perigos ocasionais que deixam de existir. Portanto, tudo o que foi adquirido pelo caminho pode ser deixado para trás quando quisermos.”
Gente, é muita, muita coisa. Eu lia e pensava em mim, mas também pensava em vocês. Tive vontade de comentar várias características que acredito que lhes ajudaria, e vou fazer isso em posts extras no meu blog no decorrer , mas não posso passar o livro todo, né?…hahaha…Então se você puder, adquira o livro. :-) 
Ah, esse livro tem em qualquer livraria, obviamente, mas eu comprei a versão digital, na Amazon. A leitura no computador (e no e-reader, que ganhei de presente de aniversário antecipado ,sobre o qual falarei em breve) para mim é um pouco mais lenta do que no papel, mas se você gostar, fica aí a sugestão. E como gostei muito do livro, vou comprar a versão física também, em uma livraria. Porque sou amiga da tecnologia, mas também sou um dinossauro que gosta de papel, de dobrar as pontinhas das páginas de carregar peso na bolsa…hahaha… Enfim, estou gostando do e-reader, mas existem prazeres que a tecnologia ainda não substitui totalmente.


PS: O mais interessante em todo este livro é o fato de que não é um livro cristão. O cara vive de dar treinamento para pessoas e empresas que querem melhorar – e funciona tanto que o trabalho dele é um sucesso. Agora pense, amiguinho que diz ser de Deus: se uma pessoa, por simples força de vontade, consegue mudar sozinha um comportamento nocivo, o que você não pode fazer com Deus, se O deixar agir?

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